.
A Partilha
Quantas vezes nos pedem para orientar, apresentar, ensinar algo
e damos por nos tão nervosos como no primeiro beijo:
as pernas tremem,
os pensamentos de incapacidades transtornam-nos
e o batimento cardíaco dispara…

Pensamos que somos pouco experientes,
que não temos conhecimento além do básico,
que podem não gostar de nós,
que e que… mil quês nos surgem…

Por vezes desistimos com a desculpa mais parva que possa existir,
outras enchemo-nos de coragem
e lá vamos nós de encontro aos leões
(que no fundo não passam de pequenos gatinhos indefesos)
e é então, quando a partilha é verdadeira e recíproca
que uma dádiva acontece…
Nasce a mais doce e singela amizade!

Aqui, percebemos que temos tanto para partilhar,
que o tempo disponível não é o suficiente
e, sem notar, partilhamos um pouco de nós
e recebemos um pouco da outra pessoa…

E mesmo assim
não conseguimos partilhar tudo quanto gostaríamos…
Não é apenas a pessoa que orientamos que aprende,
nós também… Imenso!

A orientação deverá ser sempre uma partilha,
uma partilha é sempre algo bastante intimo,
a intimidade é algo que nos marca,
estas marcas são algo que nos definem,
nos fazem crescer, sorrir, chorar, amar…
Viver!
Pois…
.
Há pouco tempo tive a incrível oportunidade
de ser orientadora de estágio,
relembro que no primeiro dia sentia um imenso nervosismo,
os pensamentos circulavam à velocidade da luz,
temia que não tivesse conhecimento e experiencia suficiente
para poder orientar o que quer que fosse...

Mas repleta de coragem lá entrei pela porta do serviço,
onde vi de imediato olhinhos brilhantes a olhar para mim
e então nem sei como continuei de pé
porque me senti a tremer da cabeça aos pés!

Mas, os dias foram passando e aos poucos
consegui perceber que até tinha algo para partilhar,
e além da experiência, sem notar,
também partilhei um pouco de mim
e recebi um pouco da outra pessoa…

Daqui nasceu uma amizade singela
e tão agradável como as nossas tardes
de convivência no trabalho…
das quais confesso que sinto saudades…
Fantástico como algo tão formal como um estágio
nos pode trazer algo tão puro como uma amizade!
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Para ti querida amiga, um muito obrigada
por me teres aturado naquelas nossas tardes de trabalho…
e por me quereres aturar ainda agora…
.
Para os restantes amigos, não temam o partilhar,
é através dele que os grandes feitos acontecem…
E, sim, temos sempre algo importante e diferente para partilhar
porque somos únicos!
*
.
Extracto de um romance
escrito por mim quando era adolescente

(…)

Primeiro dia de aulas do 12º ano, o despertador toca e Lia pensa “mais 5 minutos” e continua a dormir. A mãe entre apressada pelo quarto e diz: “Levanta-te Lia, vais chegar atrasada à escola como sempre!”
Lia, obre os olhos, suspira, senta-se na cama e espreguiça-se! Lá veste a roupa, que no dia anterior cuidadosamente escolheu, de cerca de 20 combinações diferentes que experimentou. A mãe do fundo das escadas grita: “despacha-te, só faltam 10 minutos para a escola começar!”
Lia olha o espelho pela última vez, suspira, corre pelas escadas, agarra numa maça e sai apressada pela porta, ainda ouvindo a mãe a reclamar: “é sempre a mesma coisa, nunca tem tempo para tomar o pequeno-almoço! Se te tivesses levantado quando o despertador tocou tinhas tempo para o pequeno-almoço!”
Ao percorrer os 10 minutos de caminho até à escola secundária, os pensamentos de Lia circulavam à velocidade da luz: Será que foi uma boa escolha esta roupa? estou bonita? Como será a minha turma? Já não vou poder estar com as minhas amigas antes da primeira aula…
Sem se aperceber estava a entrar na escola, dirigiu-se até à sala de aulas, cumprimentou os colegas, conheceu novos colegas e não teve aula, o professor faltou. Lia, zangada, disse: “então, podia ter ficado a dormir, vim para aqui de madrugada para nada! Vamos é para o café!” O grupo de amigas mais chegadas concordou e puseram-se ao caminho.
Nisto, antes de cruzar o portão da escola, Lia paralisou, cruzou-se com o olhar mais sedutor e intenso que alguma vez tinha visto. Quem seria aquele desconhecido que de imediato lhe fez a pele arrepiar? As colegas puxaram-na pelo braço: “anda Lia, o que foi? entraste em pause, foi?!” (…)


Não foi como Lia sonhara, não foi na noite de núpcias, não foi numa praia deserta, foi no carro, num dos muitos retiros amorosos que existem (os chamados amorometros, como os amigos lhe chamam). Não estava nada planeado, apenas estavam lá para trocar uns beijos, apenas aconteceu, desta vez foram mais longe e fui especial… (…)


Era uma tarde de domingo gélida mas solarenta, Lia e Ivo decidiram ir até à praia, sentaram-se numa duna, a contemplar o mar. Lia estava estranhamente calada, olhou para o Ivo e com os olhos encharcados disse: “estou grávida”.
Ivo sentiu o corpo inteiro a gelar, o coração a parar e respondeu: “Mas como se… se nós usamos protecção?”
Lia limpou as lágrimas e respondeu: “Não sei, estou e pronto!” e acrescentou: “ e não quero esta criança… ainda estamos a acabar o secundário… quero ir para a universidade… não a quero!”
Ivo abraçou-a e concordou. No dia seguinte, entregou a Lia uns comprimidos (abortivos) que o irmão lhe arranjou numa farmácia de um amigo e concordaram fazê-lo juntos. Foi a cólica menstrual mais intensa que Lia alguma vez sentiu, não sabia se era verdadeiramente uma dor física ou a dor de estar a matar o fruto do seu grande amor. E ainda que não soubesse de momento, este era o princípio do fim do seu primeiro grande amor. (…)


Nunca mais o toque, as carícias, os beijos foram iguais, e sem qualquer tipo de explicação Lia e Ivo afastaram-se sem dizer uma palavra.
O secundário estava concluído, Lia entrou para a universidade, estava felicíssima!
Ah, a recordação do ano que passou estava guardada no cofre no recanto mais longínquo do seu coração. Mas, o que Lia não imaginava era que esta história de amor ainda não tinha encontrado um fim… (…)
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Não, não é uma auto-biografia, é apenas algo que escrevi!
Encontrei o romance ao arrumar alguns papeis e achei interessante, nem me lembrava dele...

Outro dia, talvez acrescente mais um pouco da história, é interessante! Fez-me reflectir...

Aqui fica um pouco de uma mente adolescente...

*
Apenas que...Alinhar ao centro

Tal como disseste:"...achei que estavas murchinha..."
E estou!
O trabalho para mim é algo que me realiza
o poder ajudar alguém a sentir-se melhor
é algo que me fascina,
o podermos fazer algo de bom por outro alguém
é uma realização para mim...
Eu sei, tu sabes,mas...

Estou cansada! Estou exausta!
Não tenho vontade de ir trabalhar...
Não pelas pessoas que ajudo,
por elas o meu sorriso não se perde,
não desaparece, apenas se intensifica... tu sabes!

Mas, ter que levar todos os dias com a arrogância, parvoíce,
com a estupidez da chefe está a fazer-me mal...
Estou cansada da maldade dela!
das opções egoístas que faz,
de tentar proteger os meus pequeninos do olhar dela,
da inquisição constante "quando é que essa miúda tem alta? já estou farta de a ver aqui..."
quando este meu tesourinho ainda está longe de estar bem...

Estou cansada de ti maldita chefe!
Vai trabalhar oh parva! e deixa de chatear os que trabalham!
Dá graças a Deus por nenhum dos teus filhos ter nascido com problemas por negligencia da equipa médica e de não teres que andar com eles em tratamentos desde os 5 dias de idade!
Irra!
Acorda, que o mundo não gira à volta do teu nariz!
E ninguém anda num hospital com os filhos por puro prazer!
Irra!
Se a tua vida é uma porcaria, atira-te de uma ponte e deixa de tentar tornar a vida dos outros numa porcaria como é a tua!
Enfim...
Estou murchinha!
Estou revoltada!
Estou assustada!
Quero proteger os meus doentinhos e as minhas asas já não chegam para os cobrir a todos...
Apenas, estou murchinha...
Tens razão minha querida amiga, estou murchinha...
*
Não liguem à falta de nexo na escrita, não liguem ao que escrevi,
não liguem, apenas é um desabafo,
não estou no meu melhor,
estou cansada mas não se preocupem, o meu velho eu não fugiu,
eu volto um dia destes!
.
Toque Estes dias entrou pelo serviço um doente novo
super agressivo, a insultar toda a gente, amarrado à cadeira-de-rodas, que tinha sofrido um AVC (trombose), a auxiliar que o trazia vinha branca de medo e a minha estagiária,
que ia ficar com o Sr. tremia...
Eu aproximei-me dele, toquei-lhe num dos braços, ele insultou-me, falei para ele num toque calmo e baixo, perguntei-lhe o que se passava, ele começou a chorar e a contar que na enfermaria o tratavam mal, estava sempre amarrado à cama ou à cadeira... Instintivamente, perguntei se queria que o soltasse da cadeira, ele respondeu que sim, tirei-lhe as amarras, a auxiliar assustada disse: "não terapeuta, as enfermeiras lá em cima disseram que ele é muito agressivo, não tire isso..."
Eu disse que não fazia mal, que ele só estava "assustado" com tudo que se passava e que não percebia.
Sempre com a mão dada fomos conversando, apesar de ele pouco se conseguir exprimir porque a trombose afectou a linguagem, não consegue dizer o que pensa, e a orientação, não sabe onde está nem em que ano, dia, etc... O que faz com que seja agressivo, é horrível não se conseguir exprimir e saber o que quer dizer...
A minha estagiária pouco interveio, só observava em silêncio a sessão, com a mão dela sobre a dele também. No final o Sr. saiu do nosso serviço calmo e contente, nem parecia o mesmo...
.
O que despoletou tudo isto?
O toque, o sentir que alguém se aproximou dele de forma meiga...
Porque todos nós precisamos que nos toquem,
precisamos de um abraço de um amigo,
da mão dada com quem amamos, das suas caricias...
Com o toque a nossa ansiedade decresce,
sentimo-nos mais calmos, protegidos, amados...
Relaxamos e sentimo-nos bem, não é?
Mas, muitas vezes não nos lembramos disto,
tantas são aquelas vezes que um simples abraço apertado
poderia resolver o conflito e o que fazemos?
é tentar gritar mais alto que a outra pessoa,
ou ignorar o problema, a pessoa...
Evitar tudo e ponto final!
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O toque é um dos meus instrumentos de trabalho,
quando por exemplo, mobilizo um braço, ajudo a completar um movimento, um gesto para fazer uma tarefa, quando transfiro um doente de uma cadeira-de-rodas para uma marquesa, para outra cadeira... Enfim, quando faço qualquer coisa no trabalho...
E mesmo assim por vezes esqueço-me dele fora do trabalho,
esqueço-me da sua importância no nosso bem-estar, no bem-estar dos outros...
E já não o quero esquecer mais!
E tu reconheces a importância do toque?
.
Porque me apercebi que por vezes
uso pouco o toque fora do trabalho,
porque o toque é importante,
porque o quero transportar para o resto do dia-a-dia....
.
Toca-me a alma que prometo tocar a tua!
Ou não toques que tento na mesma tocar a tua!
*
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Perdão

Independentemente do que me possas fazer,

de me magoares, de me traíres,

de me fazeres chorar de tristeza...
Digo-te desde de já que te perdoo
hoje e sempre!
Que não guardo mágoa nem de ti, nem de ninguém!
O convívio aqui no hospital
com todo o tipo de problemas, desamores
ensinou-me que não interessa sermos maus,
vingativos, desconfiados...
No final somos todos pessoas
que volta e meia necessitamos de outras
para continuar a viver, para reaprender a viver...
E no meio disso tudo de que interessa a vingança?
De que interessa o rancor?
De nada!
Agora e sempre digo não
a este tipo de sentimentos ou emoções...
Percebi que o perdão é uma das virtudes
que temos o dom de possuir, de viver,
de "semear"...
Que não nos torna mais fracos,
pelo contrário fortalece-nos!
Já não tenho que olhar para o lado
quando passo por alguém que me magoou,
já não faço de conta que não me importo
com aqueles que perdi mas que ainda amo,
já não partilho sementes de vingança
como "é bem feita! é para aprender!"
e outras mais...
De que serve?
De nada!
Agora sorrio para anjos e diabos,
pois percebi que os últimos apenas são anjos caídos,
perdidos no meio da hipocrisia desta nossa sociedade...
Agora sorrio e ajudo-os
para tentar tornar o seu dia mais colorido
e o meu mais branco...
Quem sabe quantos anjos negros
já não ajudei a clarear...
Quem sabe quantas vezes este sorriso já fez a diferença!
Doce ser, tens sempre um lugar aqui comigo
quando te quiseres juntar à esperança
de que este mundo pode ser mais colorido!
Ou mesmo que não queiras...
.
Porque me sinto em paz comigo,
porque percebi que ajudo a fazer a diferença
todos os dias no trabalho...
Porque me perguntaste porque perdoo sempre...
.
Por mim, por ti, pelo mundo!
porque sim!
*
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Até Sempre Anjo
Para ti Abel, que partiste estes dias!Aqui e agora recordo os sorrisos,
recordo o carinho partilhado,
as alegrias que te consegui dar,
recordo-me de quando entraste pela porta do serviço
com um sorriso aberto na expectativa de que eu te fosse ajudar,
recordo-me das pequenas coisas que te disse,
das pequenas dicas para o dia-a-dia,
do milagroso rolo que te dei para comer
e da alegria com que me disseste que já comias sozinho outra vez...
Recordo-me de como o teu sorriso me fazia sorrir também...
Mas, lembro-me de ter ver desfalecer aos poucos,
afinal tinhas uma doença tão ruim e não sabias...
Lembro-me do primeiro dia que entraste no serviço
já de cadeira de rodas,
lembro-me daquele dia horrível em que passaste a vir de maca,
de já não sorrires, de já não falares
mas de o teu olhar ser tão doce como sempre...
Lembras-te do último dia em nos vimos?
quando te desejei bom fim-de-semana,
fizeste um esforço extremo para agradecer,
as palavras não saíram mas conseguiste fazer um som
e os teus olhos brilharam de orgulho, os meus de lágrimas...
Nunca te esquecerei amigo, sei que agora estás bem melhor,
acabou este sofrimento desumano em vivias...
Sei que tenho mais um anjo para olhar por mim...
Mas, sinto-me triste porque não percebi
que te estavas a despedir de mim naquela sexta-feira,
por não te der dado mais um abraço apertado nessa altura...
E, porque é normal estar triste
quando alguém que amamos se afasta de nós...
Mas...
Fico feliz por teres partido,
por finalmente teres a paz que mereces...
Amo-te hoje e sempre anjo!
Fica bem! Eu sei que ficas...
Acho que é só... O resto ouves directamente do meu coração...
.
Peço desculpa pelo texto, mas também me sinto triste volta e meia
como qualquer outra pessoa...
Não me interpretem mal, não estou triste porque este anjo partiu, porque a morte nem sempre é uma coisa má,
para ele foi uma bençao!
Estou feliz porque o seu sofrimento acabou e triste porque mesmo assim a perda doí...
*
.
Ser
Porque te amo?

Vivemos rodeados de diferentes pessoas,
com mil e uma personalidades,
mil e uma crenças, rotinas, famílias, profissões, amigos e afins
e amamos cada um incondicionalmente...
Porquê?
Alguma vez te questionaste sobre isto?
Eu ainda não...
E então pergunto...
Porque te amo se és tão diferente de mim?
Porque te perdoo quando me magoas?
Porque te quero sempre comigo?
Porque me preocupo contigo hoje e sempre?
Porque nunca te esqueço mesmo quanto partes?
Porque te deixo partir se te amo?
Porque ficas quando eu vou?
Porque te amo hoje e sempre pequeno raio de sol?
.
Nunca estamos sozinhos,
existem pessoas que nos acompanham desde sempre,
outras surgem por um período de tempo
e outras que ficam para sempre connosco...
Isto todos sabemos mas porque as amamos?
Será porque...
A todas entregamos um pouquito de nós,
recebemos um pouquito delas,
e em nós fica uma marca,
existe um amor partilhado...
Será uma fraqueza humana? um dom?
O que achas tu?
Eu? Para mim é um dom!
Porquê? Porque nos faz estar sempre acompanhados,
ter sempre alguém que nos queira bem e se preocupe connosco,
que nos proteja, que nos mime, que nos ame...
Faz-nos sorrir verdadeiramente quando apenas tínhamos vontade de chorar,
dá-nos um ombro para esmurrar quando o mundo nos trai e outro para nos aconchegar,
contribui para a nossa vontade de viver, de sonhar, de caminhar...
Por isso, basta de perguntas! Não quero saber das respostas!
Amo-te porque sim!
Amo-te porque me ajudas a sonhar!
Por vezes, amo-te porque sou pateta!
Mas não faz mal que partas, que me magoes, que...
Não faz mal o que partilhaste comigo vale mais do que 1000 diamantes,
o que partilhaste comigo ajuda-me a sonhar...
A viver...
.
Ser, porque te amo?
Porque sim!
.
Porque hoje sinto-me pateta,
porque não me lembrava de nada para escrever,
segui os meus dedos e surgiu qualquer coisa...
Algo um pouco tosco o que escrevi mas... até gosto
e aqui fica para todos vós
que fazem parte de alguma forma da minha vida: PORQUE TE AMO!
*

.
Saber ReceberQuantas vezes pensamos na importância
do dar, do receber...
Quantas vezes nos lamentamos, nos vemos a pensar
que damos mais do que recebemos...
Mas, alguma vez pensamos na forma como recebemos?
Alguma vez pensaste nisso?
Dizia-me estes dias um utente:
"Sabes, uma vez no Natal ofereci à minha esposa uma jóia lindíssima, que demorei um ano a pagar e ela olhou para aquilo e disse: "foste gastar dinheiro nisto?"Isto magoou-me porque quando oferecemos algo a alguém esperamos que o receba com um sorriso aberto, com um brilho intenso nos olhos... Depois, como tinha uma amante comprei-lhe um relógio reles e ela recebeu-o com esse tal sorriso, mais me valia ter comprado um ano de relógios..."
Isto fez-me parar e reflectir...
É verdade, raramente sabemos receber,
raramente paramos para pensar sobre a forma como o fazemos
e é importante o sorriso aberto, o brilhinho nos olhos como ele dizia,
não acham?
Então, revi-me nesta figura algumas vezes...
e percebi que muitas vezes não sentimos que recebemos algo
porque não o soubemos receber...
Muitas vezes não valorizamos aquilo que nos oferecem
e que é do fundo do coração...
Andamos tão ocupados com mil e uma coisas
que não olhamos para as pessoas tempo suficiente
para ver estas pequenas grandes ofertas,
para ver o brilho dos seus olhos
quando nos oferecem algo para eles importante,
porque o brilho é mutuo, não existe só quando se recebe
mas também quando se oferece...
.
Quantos brilhos já perdeste?
Eu não sei, mas quero não o voltar a fazer...
.
Porque nos esquecemos da importância do saber receber,
porque voltei a sentir vontade de escrever,
porque sim...
*
.
Sem palavras

Não tenho muita vontade de escrever...
Venho aqui, olho o meu sopro com saudades
e vou embora...
Se não tenho o que dizer? o que partilhar?
Tenho,
tenho tantos tesouros para partilhar...
Mas,
não sei, não me apetece escrever...
Estes meses em que estive ausente
foram tão intensos, tão irrequietos
que, não sei,
tiraram-me qualquer coisa...
Não quer dizer que foram maus,
pelo contrário, aprendi tanta coisa,
realizei um dos meus grandes objectivos para este ano...
Orgulho-me disso,
mas...
Não sei...
.
Para não pensarem que desapareci,
para quem se preocupa de algum modo comigo
passei cá só para dizer olá...
Prometo que quando as palavras quiserem voltar ao ecrã
cá me encontrarão...
.
Fiquem bem amigos!
.
Entretanto, deixo-vos algo que escrevi nas férias:

Agora que sinto que posso respirar,
tenho tudo relativamente organizado:
os estudos, o emprego, o amor, a casa e mil e outras coisas...
Estou numa fase de acalmia e percebi,
que no meio destes curtos anos sem tempo sequer para mim,
fui-me afastando de pessoas que deste sempre estiveram aqui comigo...
Decidi, enquanto a correria não retoma
(nem sequer consigo pensar em mim parada, sem estar a estudar,
a desenvolver um projecto maluco qualquer,
a pular daqui para ali, a fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo...)
que chegou o momento de cultivar novamente o meu jardim...
Este tempo de sobra decidi dedica-lo aos amigos de sempre...
Vou replantar o meu jardim,
vou cuidar dele como se fosse o maior dos meus tesouros
e espero não o voltar a esquecer...
Porque de que vale ter amor, alegrias e sorrisos para partilhar
se não temos um jardim de amigos para florir?!
Percebi que não quero apenas ter uma flor ou duas,
quero ter milhares delas porque quando sorrirem todas juntas
dar-me-ão o brilho do sol...
Volto ao meu meu jardim com um sorriso aberto,
de orelha a orelha, com a mão repleta de sementes
que alimentarei com o meu amor, hoje e sempre...
Este sorriso é teu jardim!
.
Mas, no meio de tantas alegrias, com os amigos de sempre,
perdi a vontade de escrever...
Não sei porquê...
*


.
Estive a Pescar
Sabem quando nos propõem fazer algo
que já não nos recordamos quando foi a última vez que o fizemos
e até dizemos que sim meios contrariados
mas que depois esse pequeno gesto
torna-se numa experiência tão gratificante
que só apetece repetir?!
Aconteceu-me isso este fim-de-semana...
Meia contrariada lá peguei na cana-de-pesca do meu pai
e estive a tentar apanhar algum peixe...
Bem, não fui bem sucedida, não pesquei nada!
Mas, o êxtase que essa parte da tarde de domingo
me ofereceu foi uma das melhores prendas
que recebi ultimamente...
Bem, esta grande surpresa fez-me pensar,
fez-me rever todas as pequenas coisas
a que tenho dito não ultimamente
e todas as alegrias que talvez me trariam...
Assim, decidi criar um hi5 e fazer um gostito aos amigos,
decidi ligar àquela amiga perdida no tempo e combinar um café,
decidi dar mais tempo à família,
decidi dar mais carinho ao meu sol,
decidi aceitar o convite para a tarde nas lagoas do Gerês,
decidi ter mais tempo para mim,
para ti e para todos os que querem partilhar comigo algo...
.
E tu tens recusado muitas possibilidades de alegria
ultimamente?!
Não o faças!
O que custa arriscar?!
.
Porque por vezes pomos de parte o mais simples de fazer
e é isso que realmente nos dá prazer... nos faz sorrir...
*
.
Perder Todos nós gostamos de ganhar,
gostamos de atingir os nossos objectivos,
os nossos sonhos, não?!
Mas, tão importante quanto isso é o perder...
O perder um objecto, uma luta, um sonho, um amigo,
o perder qualquer coisa...
Porquê?!
Bem, pela vitória fortalecemos o nosso ego,
a nossa auto-estima eleva,
sentimo-nos bem, fortes e felizes...
Mas, pouco aprendemos com isso, não?!
Pela derrota fragilizamos,
reflectimos sobre o mundo,
reflectimos sobre o motivo da perda,
revoltamo-nos, levantamos a cabeça
e aprendemos a evitar o erro de futuro,
pelo menos tentamos fazê-lo...
Assim, vamos crescendo mais um pouquito enquanto pessoa!
Não digo que a vida deve ser percorrida só em derrotas,
acredito que são existências igualmente importantes...
Acredito que a perda, a desilusão, a tristeza
nos fortalecem tanto quanto a vitória, a realização e a alegria,
isto se soubermos encontrar o lado positivo do mal,
todo o mal tem um lado positivo...
No entanto, tal como tu não gosto de perder,
de me sentir frustrada, triste ou algo parecido,
no entanto consigo perceber a sua importância...
E tu?!
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A não esquecer! Quando voltarmos a perder
vamos gritar, resmungar, partir tudo se for preciso!
Mas, de seguida, vamos aprender a lição de vida
que este obstáculo nos oferece...
.
Porquê?! Sei lá...
ultimamente só tenho ouvido falar de derrotas,
de separações, de divórcios
e das reacções mais inconscientes associadas...
Desde, voltar a ser adolescente pateta com 27 anos
depois de uma separação,
de exigir de 25 mil euros ao "ex-marido" para comprar um carro
ao invés de usar esse dinheiro para dar a entrada na compra de uma casa para si e para o filho, pois deixaram de ter casa
e outras tantas...
*
.
Pequeno Detalhe
Quando tudo passa a ser igual,
quando deixamos de encontrar no dia-a-dia
novas alegrias, gostos,
qualquer coisa boa
é porque estamos apenas a ver o global,
o resumo do que o mundo nos oferece...
Falta-nos olhar para os pequenos detalhes,
aqueles que surgem suavemente
para alegrar o nosso dia,
para o tornar diferente de todos os outros...
Pois, a semana passada, uma pequenina, com cerca de 3 anos,
enquanto estávamos cá fora no pátio do hospital a "trabalhar",
olha para mim e com um sorriso de orelha a orelha diz:
"olha ali no jardim um gatinho a brincar,
vamos lá brincar com ele!"
Quantas vezes eu já tinha olhado para o jardim naquele dia?!
Sei lá, foram tantas que lhe perdi a conta,
mas não tinha reparado no gato
que se espreguiçava e brincava ao sol...
Naquele momento, aquela pequenita,
coloriu o meu dia que parecia não ter fim,
parecia igual a mil outros dias
e deu-me um motivo para sorrir
pois sempre que olhava pela janela
lá via o gato a brincar e sorria...
Noutro dia, outra criança,
entra pela porta toda orgulhosa e entregando-me um papel diz:
"Toma é para ti!"
Olhei e era um papel com um monte de sarrabiscos,
e continuou ela: "És tu e uma flor linda..."
Sinceramente, eu não distinguia absolutamente nada
no meio daqueles sarrabiscos
mas guardei-o como o grande tesouro que é...
Se vissem o brilho nos olhos daquele anjo
quando me ofereceu o desenho,
o amor que me dedicou ao desenhar-me,
isto é mais que suficiente para eu o guardar
como um grande tesouro!
Agora aprendi com os pequenitos
que me fazem companhia nos dias de trabalho,
que me fazem correr pelos corredores do hospital,
andar descalça no jardim,
saltar nos colchões e nas bolas,
fazer colares, desenhos, pinturas
e tantas outras coisas,
que a diferença dos dias iguais
está em ver as pequenas alegrias...
Existe sempre algo
que nos fará sorrir
mesmo nos dias mais cinzentos,
é apenas preciso manter os cinco sentidos apurados,
a visão, o olfacto, a audição, o paladar e o tacto livres
para encontrar o que o mundo tem para nos oferecer...
.
Mais uma vez, aprendi com os pequenitos
algo que sempre esteve presente
mas que na maioria dos dias pouco valorizava...
.
E tu?
Costumas ver os pequenos detalhes?
Se não costumas,
tenta encontrar agora um
e verás o teu dia a ser diferente dos restantes...
*
.
Tu!
Hoje não escrevo nada doce,
hoje estou zangada,
mais que isso, estou revoltada!
Porquê?
Porque estes dias,
entre lágrimas a mãe de uma menina autista
que faz tratamento comigo confessou:
"Sabe terapeuta, quando levo a minha filha
a passear para o parque ou para a praia,
ou mesmo para andar de autocarro,
sinto-me tão mal porque as pessoas olham para mim de lado,
olham para a minha menina e desviam-se,
trocam de lugar, tiram os filhos do parque,
como se ela fosse um bicho..."
Digam-me como é que isto é possível?!
Como é possível tamanha falta de bom senso, educação e compaixão?

Antes de mais, um autista, para quem não sabe,
de uma forma muito simples,
é uma pessoa que vive num mundo diferente do nosso,
é alguém que tem o corpo cá
e a mente em outro lado qualquer...
É uma pessoa que não conhece as nossas regras,
que normalmente não fala
e se expressa de forma excessiva,
quer para a alegria
e ainda mais para o desagrado: com birras, gritos, pontapés, etc...
A qual temos que cativar, ensinar a beleza do nosso mundo
e se possível trazer até nós...
É uma criança difícil e os pais não têm culpa disso,
nem o conseguem controlar...

Por isso,
hoje quero gritar eu contigo!
Hoje não admito a tua covardia!
Diz-me pessoa injusta
que mal tem uma pobre criança
que teve o azar de nascer diferente?!
Que culpa têm os seus pais
porque ela grita, morde, não fala, faz birras?!
Diz-me pessoa ingrata
achas justo o que fazes a esta mãe e a outras tantas?!
Trocas de lugar no autocarro,
tiras os teus filhos do parque,
olhas para a mãe com ar discriminatório?
Que direito tens tu de julgar esta mãe e esta criança?!

Já pensante que aquela mãe ou pai poderias ser tu?
Já pensaste que aquela criança poderia ser da tua família?
Já pensaste na dor que estes pais sentem?
Já pensaste na dor que esta criança sente
por a tentarmos colocar neste mundo cruel?

Ela morde-me, grita comigo, arranha-me
quando está zangada,
mas, outras vezes, abraça-me, beija-me,
pede-me colo e sorri...
Achas que este pequeno anjo perdido
não tem direito a ser tratado como um ser humano?!
Eu sei que sim!
E acredito que existem mais pessoas como eu
que acreditam que sim...
.
Hoje não vos trouxe nada doce,
apenas apresento uma realidade mais dura
desta sociedade ingrata em que vivemos...
Peço desculpa pelo mau jeito
mas este acto de crueldade
é digno de ser falado
porque muitas vezes as pessoas esquecem-se
que este tipo de actos, são pura discriminação
e magoam tanto ou mais as pessoas do que a agressão física...
.
A todos vós peço,
não façam isto...
*
.
Apenas...
Assim!

Alguma vez olhaste para o lado,
viste um amigo a sorrir, a brilhar
e pensaste "Quem me dera ter a vida dele..."
Estes dias uma amiga disse-me isso
e acrescentou "Tens tudo o que queres!"
eu respondi "Tenho tudo pelo qual lutei!",
e torno a repetir: apenas aquilo pelo que lutei...

Amiga, o sorriso não é vitalício,
a vitoria não surge do nada,
todas as nossas conquistas trazem
por trás um historial de angustia, tristeza
e mil e outros sentimentos...
Tenho namorado, tenho casa, tenho emprego,
tenho amigos, tenho família, tenho-te a ti
mas por tudo tive que dar muito de mim,
tive que dar sem pensar em receber,
tive que dar e às vezes
sem retorno continuar a o fazer...
Este sorriso que te deslumbra nem sempre existe,
sabes?!
Claro, sinto-me orgulhosa por tudo que consegui,
sinto-me feliz pela vida que tenho
mas, ao mesmo tempo,
existem actos, factos, perdas, desilusões que me magoam,
apenas não lhes atribuo grande importância,
porque não os posso mudar,
o tempo não volta para trás,
não vai fazer diferença nenhuma, não é?!
Olhas para mim,
vês um relacionamento de 6 anos que perdura,
vês a cumplicidade
mas não vez a raiva, as lágrimas, a angustia
por que já passamos e ultrapassamos...
Achas que nunca nos zangamos?!
Oi, foram tantas as vezes que já não tem conta
mas, de todas nos sentamos e tentamos resolver o problema,
nada é perfeito, nada nasce perfeito...
O emprego?
E os "sapos" que já tive de engolir
e tenho para engolir ainda...
Os amigos?
Perdi alguns importantes, ganhei outros,
reencontrei outros tantos
e a todos dedico um pouquito de mim,
sem esperar retomo imediato,
as nossas vidas complicaram-se nestes últimos anos:
temos empregos, formamos famílias,
já não somos apenas estudantes,
o tempo não é tão elástico como antigamente...
Mas, estão aqui comigo sempre no coração
e quando nos encontramos
vês esse brilho que tanto gostas
e sabes o que é?!
É a minha alma a vibrar de alegria
por estar contigo amiga,
convosco, pequenos complementos da minha alma...
Minha doce amiga,
tudo que temos é aquilo pelo qual lutamos,
apenas isso...
Não gostas tanto do que vês em ti,
começa,
primeiro, por achar que és capaz de o mudar
e depois por tentar alcançar os teus sonhos...
É isso que eu faço,
nunca deixo de sonhar e de procurar concretizar esses sonhos...
Façam o mesmo!
.

Porque te vi tão triste amiga,
porque me senti triste por ti,
porque "o seguir os nossos sonhos" é a chave,
porque acho que todos nós precisamos de o ouvir de vez em quanto...

A ti linda amiga e a todos vós amigos
deixo aqui um pouquinho de mim...

Eu, Branca *